segunda-feira, março 27, 2006

Transtornos causados por temporais

Do Jornal "O Globo":

Uma frente fria trouxe chuva forte, transtornos e baixou a temperatura na cidade no primeiro domingo de outono do ano. Logo de manhã, a Lagoa Rodrigo de Freitas transbordou, alagando parte das pistas das avenidas Borges de Medeiros e Epitácio Pessoa. (...) O temporal atingiu principalmente a Barra e os bairros da Zona Sul. Segundo o instituto de meteorologia Climatempo, a chuva de ontem alcançou, em média, o mesmo nível de precipitação registrado em todo o mês de março no Rio.(...) Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a frente fria é passageira e a temperatura deve subir a partir de hoje. Ontem, a mínima registrada na cidade foi de 22 graus em Santa Cruz e no Alto da Boa Vista.

O Rio de Janeiro continua lindo.

Esse foi o primeiro transtorno de ontem; pra falar a verdade, ele em nada me afetou. É só o mote para o que se segue.

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Neste final de semana, tive que fazer uma espécie de curso- um treinamento médico, digamos assim- em que se fica confinado numa sala tendo aulas teóricas e práticas por 10 horas. No sábado (de sol lindo!) e domingo (de chuva forte incessante).

Só isso já bastaria para deixar qualquer ser vivente, no mínimo, cansado; afinal de contas, o sujeito trabalhou a semana toda e ainda ter que queimar a mufa no finde é dose alta. Com o adendo de não ter nada a ver com a especialidade médica que faço e eu ter ido participar do curso por imposição do meu empregador, a coisa fica um pouco mais difícil. E piora terrivelmente com a presença de alguns instrutores pouco motivados e cansados. Fo&%¤#de a por"#%&ra toda com um instrutor FDP gritando, xingando e te irritando o tempo todo.

O treinamento em si se baseia em protocolos norte-americanos para condutas e atos médicos durante situações de ameaça à vida por doenças cardiovasculares e parada cardio-respiratória, basicamente. Ou seja, manutenção da vida em momentos críticos onde o tempo pode ser seu amigo ou inimigo, dependendo se o médico é ágil e sabe o que fazer, como fazer e na ordem correta de se fazer. Outra informação necessária: como tudo que é americano, pode até ser estranho e não fazer muito sentido, mas dá certo no final. E você não precisa questionar, basta decorar e fazer. Não há muito o que entender, é uma forma burra de ensinar. Porém, é o padrão vigente de quem dita as ordens; que aliás, estão aí para serem cumpridas, senão não seriam ordens.

Importantíssimo adquirir este conhecimento, sem dúvida. Embora a idéia geral do leigo seja de que todo médico é igual aos do "ER", que enfiam tubos goela adentro e abrem barrigas com destreza sem igual, nem todo simples doutor está apto a salvar vidas em situações limítrofes. Isso depende muito da prática individual do dia-a-dia, da sua especialidade e, principalmente, se você quer fazer desse o seu ganha-pão.

Eu já fiz alguns anos de CTI adulto e infantil, já gostei muito disto. Hoje em dia não. Eu me cansava, me estressava, sofria com as pessoas. Cheguei à conclusão que seria mais saudável para mim enveredar por outro campo - o da prática ambulatorial, o popular médico de consultório.
Embora- modéstia à parte- eu fosse boa naquilo, aquilo não me fazia bem.

Talvez por reviver por breves 2 dias aquelas situações fatigantes, eu tenha perdido o controle. Por um lado foi bom: acaba com aquele meu eterno dilema de devo ou não voltar à terapia intensiva. Já chega os resgates que faço razoavelmente com certa frequência e - de novo sem modéstia- bem feitos. Por outro, foi ruim: eu não precisava me aborrecer por tão pouco, com alguém que nem conheço, mais uma vez na minha vida. Soltar minha agressividade se virou contra mim, se eu tivesse "engolido" em vez de devolver tudo ao caboclo agressivo, poderia eu não me aborrecer e me pouparia trabalho.

Poderia, mas não foi assim.

Pra resumir: o sujeito gritou uma vez. Gritou de novo. Eu, então, pensei "Não vai gritar uma terceira, deve tá nervoso por outra coisa".

Mas continuou gritando e estressando a todos em vez de instruir. Instrutor faz o quê? Tcharam! Instrui! Não grita! Tanto não instruiu que eu não consegui decorar os passos da parte dele, travei mesmo.

Uma hora, eu falei baixo: "Pare de gritar, por favor". O sujeito não ouviu de fato, pois gritava e se aproximava da minha pessoa. Como nesse momento eu estava de costas para ele e tentando me concentrar no que fazia, SEM QUERER, dei-lhe uma cotovelada porque ele encostou em mim. Sabe aquela que é meio na defesa, já atacando?! Então, foi assim...

Na hora, pintou um clima. Eu falei um "desculpe" entre os dentes, ele parou de gritar, de gesticular e de xingar; soltou um "Mas você tá nervosa mesmo, tá reagindo ao toque!". Ficou chato.

Chato porque nós dois soubemos que foi que nem o Chaves, sem querer querendo. Acredito que as pessoas não perceberam, algumas até brincaram, dizendo, "Nossa, você fez o que muita gente tá querendo fazer mas não tem coragem!" Ele não se aproximou mais de mim. Mas fez questão de me aplicar a prova prática. Daí, após pouca argumentação da minha parte que seria melhor outro fazê-lo e ele não concordar, falei: "É melhor a gente ficar por aqui, eu volto outro dia pra fazer a prova". We have a deal!

Assim sendo, concluí a prova teórica, passei e voltarei num outro domingo para repetir toda aquela decoreba americana. Eu extravasei a minha raiva, mas ele também. Quem perdeu nessa? Eu, claro!

Então meu (minha) amigo(a) estressado, distímico, pavio curto, fio desencapado e grosso: não se altere! Engula o sapo uma vez! Senão depois, podes ter um trique-trique nervoso, além de perder o domingão de praia mais uma vez.

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Previsão do tempo

A previsão para hoje é de céu nublado, com pancadas de chuvas ocasionais. O sol deve aparecer amanhã, com céu parcialmente nublado, de acordo com o Inmet.

Aos poucos, tudo volta ao seu lugar e em calma. La vida mía tiene situaciones raras como en las tormentas: mucha fuerza y mucha rabia, pero pronto se van y se sale el sol.


segunda-feira, março 13, 2006

ZCAS x Enceladus

Era um belo dia de sol de janeiro do ano corrente, quando estava assistindo ao telejornal e me deparei com a moça do tempo falando sobre um fenômeno metereológico chamado Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS).

Hã??!!

Naquele momento, a única informação que foi gravada na minha memória parecia um alarme: "Quem quiser aproveitar a praia, com águas limpas, calmas e de temperatura agradável, deve ir hoje, agora. Porque a partir de amanhã, isso não será mais possível, devido às chuvas e possibilidade dessa zona se perpetuar por muito tempo estacionada sobre a região sudeste." De posse desta informação valiosa, corri (e bem rápido) para o refúgio recomendado.

A praia torna-se um lugar paradisíaco, quase onírico, depois de passar quase dois anos sufocada pelo frio nórdico e estando recém chegada da temporada na terra do Papai Noel. E naquele dia, parecia melhor que qualquer comercial de cerveja: água morna, verde-claro-caribenho, sem ondas e com uma brisa leve. Só faltava um fundo musical. Beleza!

De fato, a previsão do tempo estava correta: nos 7 ou 10 dias que se seguiram, chuvas e mau tempo, que meus parcos conhecimentos de meteorologia atribuíram a uma frente fria morodonga. Mas era, na verdade, a ZCAS.

Fiquei pensando naquilo e, como ainda estava curtindo minhas férias forçadas pelo retorno ao Brasil, decidi ler um pouco mais sobre ela, responsável por eu não estar fiscalizando a natureza praiana.

Trata-se de uma persistente faixa de nebulosidade orientada no sentido noroeste-sudeste, que se estende do sul da Amazônia ao Atlântico Sul-Central por alguns milhares de km, bem caracterizada nos meses de verão. As observações indicam evidente associação entre períodos de enchentes de verão na região sudeste e veranicos na região sul com a permanência da ZCAS por períodos prolongados sobre a região sudeste, o que estava acontecendo naquele exato período.

É uma complicação só o mecanismo de formação e manutenção da ZCAS. E quando me vejo diante de explicações muito confusas, filtro o máximo possível da informação. Nesse caso, o que me chamou a atenção foi, dentre os fatores locais responsáveis pela sua formação/manutenção, a presença por si só da Cordilheira dos Andes, pois me pareceu a hipótese mais sensata. Através dela "e a presença de uma fonte transiente de calor (com ciclo diurno) parecem ser decisivas no posicionamento do campo de pressão na baixa troposfera em resposta à liberação de calor latente na Amazônia/Brasil Central". Ah, sim...

Traduzindo: a ZCAS se formaria a partir da barreira física dos Andes e do calor latente da Amazônia. Poderia existir sem os Andes, mas nunca sem a Amazônia. Essa é a verdadeira unificação da América Latina! Mais fácil agora?!

A importância prática da ZCAS se concentra na previsão do tempo e do clima em regiões tropicais, que sofrem influência de sistemas nos quais a liberação de calor latente é energeticamente importante. Para as regiões sul-sudeste no período de verão, a ZCAS tem importante papel na ocorrência de veranicos e enchentes severas.

Muito bem, prestei serviço de (in)utilidade pública!!
O que tem isso a ver com esse blog, com a minha pessoa que não sabe nada de meteorologia, e com uma lua de Saturno??

Tudo.

O blog serve para expressar idéias, contar fatos do dia-a-dia, publicar suas impressões, fazer fofoca, dar notícias, matar o tempo, descarregar a raiva, distrair, falar mal dos outros, agradecer, fazer homenagens, campanhas e mais um sem número de coisas. Farei tudo isso pois a megalomania me consome. Além de falar pelos cotovelos.

A ZCAS foi algo que me impressionou pela sua grandiosidade e pela forma que fui a ela apresentada: num dia lindo, de verão, de férias, de praia perfeita. Mas, naquele momento, o período nebuloso, as chuvas e a possibilidade de enchentes passariam a imperar. Graças a Deus não houve nenhum estrago.

A ZCAS representa esses períodos conturbados que a gente atravessa na vida- chegam depois de períodos calmos; sabemos quando começa, é até possível prevê-los. Mas quase nunca sabemos quando acabará, principalmente se há fatores obscuros e não muito bem definidos envolvidos na sua formação e manutenção. Por isso, acredito nos Andes - eles são tão imponentes, tão grandiosos; seguramente estão têm participação na ZCAS! Um dia, estarei bem perto deles e aí provarei se são ou não determinantes das ZCAS da vida. Sou do time de S. Tomé - ver para crer.


Enceladus simboliza o meu retorno de Saturno: amadurecimento, pequenas revoluções pessoais, quebra de barreiras, de estigmas e de valores. Principalmente agora que foi descoberto que há água nessa lua. E onde há água, há vida como conhecemos. Se pode haver vida em uma lua de Saturno, meu limite vai além do céu. Por isso, assino Enceladus.

Sempre finalizarei falando do meu boletim do tempo. Hoje temos tempo bom, céu claro, com temperatura em elevação, sem possibilidades de pancadas de chuva no fim do dia.

Será?!